A possibilidade de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) antes mesmo de um eventual julgamento levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade do Poder Judiciário e o uso seletivo da lei. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira (27), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, confirmou que a prisão de Bolsonaro pode ocorrer a qualquer momento, caso seja determinada pelo Judiciário. O ex-presidente enfrenta três indiciamentos: tentativa de golpe de Estado, fraude em cartões de vacinação contra a Covid-19 e suposto desvio de joias da presidência.
Rodrigues defendeu que a atuação da PF segue critérios técnicos e jurídicos, afirmando que a corporação apenas cumpre mandados expedidos pelo Judiciário, sem influência de pressões políticas. “A prisão ou não prisão não depende da vontade ou do desejo das pessoas, mas de requisitos legais”, afirmou. No entanto, a seletividade da Justiça e o contexto de perseguição política contra Bolsonaro colocam em xeque a isenção desse processo.
Enquanto figuras aliadas ao governo atual enfrentam denúncias sem qualquer consequência rigorosa, Bolsonaro é alvo de uma ofensiva constante. A rapidez e o rigor com que os processos contra ele avançam contrastam com a morosidade de investigações envolvendo outros agentes políticos, levantando suspeitas sobre um viés ideológico na aplicação da lei.
O cerco judicial ao ex-presidente não se limita a meras questões jurídicas, mas reflete uma movimentação maior para minar sua influência política e inviabilizar uma eventual candidatura em 2026. O uso da Justiça como ferramenta de perseguição política é um risco para a democracia, pois fragiliza a confiança na imparcialidade das instituições e cria um perigoso precedente para o futuro do país.
Diante desse cenário, cresce a preocupação sobre até onde o Judiciário está disposto a ir para afastar Bolsonaro do jogo político. A aplicação seletiva da lei e a politização das instituições de investigação ameaçam a estabilidade democrática e revelam uma estratégia clara: eliminar um adversário de peso por meios que ultrapassam o campo eleitoral.
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